PEC da Jornada 6×1: Guia Completo com as Novas Regras em 2026

PEC da Jornada 6×1: Guia Completo com as Novas Regras em 2026

PEC da Jornada 6x1
PEC da Jornada 6×1: Guia Completo com as Novas Regras em 2026
Atualizado em 15 de outubro de 2026 — PEC aprovada pelo Senado
Equipe JC · Publicado em 03 de junho de 2026 · Atualizado em 15 de outubro de 2026 · Guia Pilar — Silo PEC 6×1 · Leitura: 15 minutos
Atualização — 15 de outubro de 2026 — PEC promulgada
🎉 Senado aprova a PEC em dois turnos com 75×1 — fim da escala 6×1 é lei

Na noite de 14 de outubro de 2026, o Senado Federal aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, ambos com 75 votos favoráveis e apenas 1 contrário (Hamilton Mourão, Republicanos-RS). O resultado foi muito acima dos 49 votos mínimos exigidos — 77 dos 81 senadores estavam presentes. A PEC vai direto à promulgação, sem retornar à Câmara, pois o relator Omar Aziz (PSD-AM) manteve o texto aprovado pelos deputados em maio.

Cronograma da tramitação: após chegar ao Senado em 28/05, a PEC foi aprovada na CCJ em 02/09/2026 com o parecer de Aziz sem alterações, e votada no plenário em 14/10/2026 — após o 1º turno das eleições municipais. A líder do governo, Tereza Leitão (PT-PE), comemorou: “Esta é a maior conquista trabalhista desde a Constituição de 1988.”

O que muda e quando: 60 dias após a promulgação → escala 5×2 obrigatória + máximo de 42 horas semanais. 14 meses após a promulgação → teto final de 40 horas semanais. Nenhuma redução salarial é permitida em nenhuma das fases.

Acompanhe este artigo para atualização com a data oficial de promulgação e os detalhes do decreto.

O que é a PEC da jornada 6×1

A PEC da jornada 6×1 é uma Proposta de Emenda à Constituição que altera o Art. 7º, inciso XIII, da Constituição Federal — o dispositivo que hoje define a jornada máxima de trabalho no Brasil em 8 horas diárias e 44 horas semanais, permitindo a escala 6×1.

A proposta central é substituir esse modelo por uma jornada máxima de 8 horas diárias e 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso por semana — sendo um deles preferencialmente aos domingos. Na prática, isso extingue a escala 6×1 e impõe a escala 5×2 como padrão constitucional mínimo.

O impacto é imenso: de acordo com dados do IBGE, aproximadamente 33 milhões de trabalhadores brasileiros ainda trabalham em escala 6×1, a maioria nos setores de comércio, serviços, alimentação, logística e transporte.

Por que é uma PEC, e não uma lei comum?

Porque a jornada máxima de trabalho está na Constituição. Para alterá-la é necessária uma Proposta de Emenda à Constituição, que exige aprovação em dois turnos em cada Casa do Congresso com mínimo de 3/5 dos votos (308 na Câmara, 49 no Senado). Uma lei ordinária não teria força para mudar o que a Constituição já fixou.

O texto que foi aprovado na Câmara em maio de 2026

Há um ponto fundamental que gera muita confusão: o texto que tramitou nas notícias iniciais (36 horas semanais) não é o que foi aprovado. A Câmara adotou um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) que alterou o limite para 40 horas semanais.

Atenção: o número correto é 40 horas, não 36

O texto aprovado na Câmara em 27 de maio de 2026 — com 461 votos a favor e 19 contra — estabelece jornada máxima de 40 horas semanais. A meta de 36 horas estava nas PECs originais e pode aparecer em futuras negociações, mas não é o texto que está no Senado agora.

Redução da jornada
De 44 horas semanais para 40 horas semanais, em duas fases durante 14 meses de transição.
Dois dias de folga
Garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um preferencialmente aos domingos.
Salário protegido
Proibição expressa de qualquer redução salarial nominal, proporcional ou de piso decorrente da mudança de jornada.
Negociação coletiva
Acordos e convenções coletivas poderão ampliar a jornada diária durante o período de transição, respeitando os dois dias de descanso.

As regras de transição: 60 dias e 14 meses

Regras de transição após a promulgação
Hoje
6×1
44 h/semana · 1 dia de folga
+ 60 dias
5×2
42 h/semana · 2 dias de folga
+ 14 meses
5×2
40 h/semana · 2 dias de folga
Marco temporalEscalaJornada semanalJornada diária padrão
Regra atual (antes da PEC)6×144 horas7h20min (em 6 dias)
60 dias após a promulgação5×242 horas8h24min (em 5 dias)
14 meses após a promulgação5×240 horas8h00min (em 5 dias)

Quem não é afetado pela PEC

GrupoCondiçãoMotivo da exceção
Trabalhadores em jornada reduzidaJá trabalham 40h/semana ou menosJá estão dentro do novo limite
HipersuficientesDiploma de nível superior + salário ≥ R$ 21.188,87Maior flexibilidade para negociação individual de jornada
MEIs, MEs e EPPsA definir por lei complementarLei complementar poderá adotar regras de transição específicas
Regimes diferenciadosCategorias com jornadas especiais (ex: 6h diárias)Lei ordinária definirá as condições para esses regimes

Impactos para trabalhadores e empresas

Para o trabalhador

O ganho mais imediato é o dia extra de folga e a redução de 4 horas na carga semanal — sem perda de salário. Para os cerca de 33 milhões de trabalhadores em escala 6×1, isso representa mais tempo com a família, menor fadiga acumulada e maior possibilidade de qualificação profissional. Do ponto de vista previdenciário, a redução da jornada não afeta o tempo de contribuição ao INSS.

Para as empresas

O impacto é significativo em setores intensivos em mão de obra com funcionamento de 7 dias. A redução de 4 horas semanais por trabalhador, sem redução salarial, equivale a um aumento real do custo por hora trabalhada. A janela dos 14 meses de transição existe exatamente para que essa adaptação ocorra de forma planejada.

Linha do tempo: toda a trajetória da PEC da jornada 6×1

Do projeto pioneiro de 2015 à aprovação histórica na Câmara e ao atual estágio — acompanhe cada marco desta que é uma das maiores mudanças trabalhistas em décadas.

Marcos legislativos
2015
PEC 148/2015 — Senador Paulo Paim (PT-RS)

Primeira proposta formal no Senado para reduzir a jornada de trabalho. Passou pela CCJ do Senado em dezembro de 2025.

✔ Aprovada na CCJ/Senado
2019
PEC 221/2019 — Dep. Reginaldo Lopes (PT-MG)

Proposta apresentada na Câmara para reduzir a jornada para 36 horas semanais. Tramitou por anos até ganhar força com o movimento social de 2024.

✔ Apresentada na Câmara
Out. 2024
Campanha viral pelo fim da escala 6×1

Movimento espontâneo nas redes sociais mobiliza milhões de trabalhadores e força o Congresso a colocar o tema na pauta.

✔ Marco social
Fev. 2025
PEC 8/2025 — Dep. Érika Hilton (PSOL-SP)

Proposta de jornada de 36 horas em quatro dias de trabalho. Apensada à PEC 221/2019 e fundida no substitutivo aprovado em maio de 2026.

✔ Apensada à PEC 221/2019
27/05/2026
Câmara aprova a PEC em dois turnos — 461 × 19

O Plenário da Câmara aprova o substitutivo de Leo Prates (40h semanais). 1º turno: 472 × 22. 2º turno: 461 × 19 — muito acima do mínimo de 308 votos.

✔ Aprovada na Câmara
28/05/2026
PEC chega ao Senado — distribuída à CCJ

PEC distribuída à CCJ do Senado, presidida por Otto Alencar (PSD-BA). Presidente Davi Alcolumbre anuncia que a proposta não irá diretamente ao plenário e passará pelas comissões.

✔ Recebida no Senado
01/07/2026
Sessão temática no plenário com 50+ convidados — PEC ainda travada por Alcolumbre

Sessão temática no plenário com mais de 50 convidados debatendo os impactos da PEC. Apesar da repercussão, Alcolumbre manteve a PEC na Mesa Diretora sem despachar à CCJ. A PEC alternativa da oposição (mantém a escala 6×1 com contratação por hora) já foi despachada à CCJ. Senadores governistas pressionaram por votação antes do recesso de 18/07. Aprovação empurrada para o segundo semestre.

27/08/2026
Relator Omar Aziz entrega parecer na CCJ sem alterações

Omar Aziz (PSD-AM), relator na CCJ, entregou parecer favorável sem nenhuma alteração ao texto da Câmara — rejeitando o retorno às 44h semanais. Alcolumbre destravou a matéria para o plenário.

✔ Parecer entregue
02/09/2026
CCJ do Senado aprova o parecer de Aziz — texto vai ao plenário

A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o parecer do relator sem alterações. PEC liberada para votação no plenário do Senado.

✔ Aprovada na CCJ
14/10/2026 — última atualização
Senado aprova a PEC em dois turnos — 75 × 1 — fim da escala 6×1 é lei

Na noite de 14/10/2026 o Senado votou a PEC em dois turnos consecutivos, ambos com 75 votos favoráveis e 1 contrário (Hamilton Mourão). Único ausente registrado foi Rogério Marinho; Flávio Bolsonaro votou remotamente a favor. Relator Aziz manteve texto idêntico ao da Câmara → PEC vai direto à promulgação.

⬤ Aguardando promulgação
Out/Nov 2026
Promulgação pelo Congresso → vigência em duas fases

60 dias após a promulgação: escala 5×2 obrigatória + máximo 42 horas semanais.
14 meses após a promulgação: teto final de 40 horas semanais. Nenhuma redução salarial permitida em nenhuma fase.

Em breve — acompanhe

O Senado aprovou: o que acontece agora e quando entra em vigor

Na noite de 14 de outubro de 2026, o Senado Federal concluiu o processo legislativo da PEC da jornada 6×1. O texto foi aprovado em dois turnos consecutivos com 75 votos a favor e 1 contrário (senador Hamilton Mourão, Republicanos-RR). O único voto negativo foi isolado: Rogério Marinho estava ausente, e Flávio Bolsonaro votou remotamente a favor. O placar amplo — muito acima dos 49 votos mínimos exigidos — refletiu o consenso que se formou ao longo dos meses de debate.

O relator Omar Aziz (PSD-AM) manteve o texto rigorosamente idêntico ao aprovado pela Câmara em 27 de maio de 2026. Isso tem uma consequência direta: sem nenhuma alteração de mérito, a PEC não precisa retornar à Câmara — vai diretamente à promulgação pelo Congresso Nacional.

O que é a promulgação e o que muda a partir de quando

A promulgação é o ato formal pelo qual o Congresso Nacional declara a vigência da Emenda Constitucional. Ela deve ocorrer em sessão conjunta de deputados e senadores, normalmente em prazo de dias ou semanas após a aprovação final. A partir da data da promulgação, o cronograma de transição passa a correr:

MarcoO que mudaPrevisão
Promulgação EC publicada no Diário Oficial — início do prazo de transição Out/Nov 2026
+ 60 dias após promulgação Escala 5×2 obrigatória + jornada máxima de 42 horas semanais Dez 2026/Jan 2027
+ 14 meses após promulgação Teto final de 40 horas semanais — fim definitivo da escala 6×1 Jan/Fev 2028

A PEC 12/2026 da oposição: encerrada

A proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) — que mantinha a escala 6×1 e a jornada de 44 horas — não avançou. Com a aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado, o debate legislativo sobre o fim da escala 6×1 está encerrado. A Emenda Constitucional prevalece sobre qualquer lei ordinária futura que tente restaurar a jornada anterior.

Decisão tomada — planejamento é a prioridade agora

A aprovação foi histórica: 75×1 é um dos maiores placares já registrados para uma PEC no Senado. Para trabalhadores e empresas, o foco agora é a transição. Acompanhe este artigo para a data exata da promulgação e os marcos do cronograma de vigência.

Tem dúvidas sobre como a PEC afeta seu caso específico?

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Perguntas frequentes sobre a PEC da jornada 6×1

O que é a PEC da jornada 6×1?

A PEC da jornada 6×1 altera o Art. 7º, inciso XIII, da Constituição Federal para reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e substituir a escala 6×1 pela escala 5×2. O texto aprovado na Câmara em 27/05/2026 é o substitutivo da PEC 221/2019, relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

A jornada vai cair para 36 horas semanais?

Não, pelo menos não pelo texto aprovado pela Câmara. O substitutivo fixou o teto em 40 horas semanais — não 36 horas como previam as PECs originais de Érika Hilton e Reginaldo Lopes. O número correto é 40 horas.

Quando a PEC 6×1 entra em vigor?

O Senado aprovou a PEC em 14/10/2026 — 75 votos a favor, 1 contrário. Como o relator Aziz manteve o texto idêntico ao da Câmara, a PEC vai direto à promulgação pelo Congresso Nacional, prevista para outubro ou novembro de 2026. A partir da promulgação: 60 dias depois — escala 5×2 obrigatória e 42 horas semanais; 14 meses depois — teto final de 40 horas semanais.

O salário vai ser reduzido com a mudança de jornada?

Não. O texto proíbe expressamente qualquer redução salarial nominal, proporcional ou de piso decorrente da mudança de jornada. A única exceção são os hipersuficientes (diploma + salário ≥ R$ 21.188,87).

O que acontece se o Senado alterar o texto?

O Senado aprovou o texto sem nenhuma alteração — o placar de 75×1 em 14/10/2026 confirmou isso. Por isso, a PEC não retorna à Câmara e vai diretamente à promulgação. A pergunta sobre “o que aconteceria se o Senado alterasse o texto” tornou-se hipotética: o Cenário A se concretizou.

Como fica o trabalho aos domingos com a PEC?

A PEC garante que um dos dois dias de descanso semanais seja preferencialmente aos domingos — não obrigatoriamente. O funcionamento dominical não é proibido — mas o trabalhador precisa ter dois dias de descanso por semana garantidos, podendo um deles ser em outro dia via convenção coletiva.